Com este projeto, recém indicado ao Globo de Ouro e futuro concorrente ao Oscar, George Clooney chega ao seu 4º longa-metragem como diretor, apenas o 2º como roteirista. Mas Tudo Pelo Poder é um filme de atores. O que chama atenção no meio da trama política não são as denúncias que o texto se dispõe a fazer, mas sim o belo elenco comandado por Clooney, coincidência ou não, um dos melhores atores de sua geração.
Stephen Myers (Ryan Gosling) é um dos chefes de campanha do governador Mike Morris (Clooney), pretendente ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Nas vésperas das primárias, ambos se veem presos pelo jogo político e obrigados a jogarem fora qualquer resquício de ideologia para alcançarem resultados favoráveis nas eleições. Escrito por Grant Heslov, Beau Willimon e George Clooney, dirigido por este último.
Sem mencionar muito os republicanos, o roteiro de Heslov, Willimon e do próprio diretor tenta mostrar, a partir de uma disputa entre democratas, a progressiva e inevitável podridão que os políticos precisam se sujeitar caso queiram algum cargo de poder: subornos, alianças com pessoas indesejadas, calúnias infundadas contra os adversários, etc. Embora seja um tema extremamente pertinente e muito bem arquitetado por Clooney e seus roteiristas, confesso que faltou alguma coisa para me cativar. Talvez o processo muito particular dos Estados Unidos cause um certo distanciamento no público brasileiro, mas sem dúvidas o principal problema passa pelas denúncias pouco chocantes que Clooney aborda como absurda novidade. O clima de denúncia surge enfraquecido, como uma notícia que saiu com 10 anos de atraso.
Fora isso, a trama até funciona bem e Clooney acerta na direção ao fugir do óbvio em momentos chaves. Por exemplo, quando o personagem Paul Zara (Philip Seymour Hoffman) vai receber a notícia de sua demissão dentro do carro do governador. Neste tipo de situação a maioria dos filmes hollywoodianos investiriam num diálogo raivoso e dramático, já Clooney opta por não revelar o interior do veículo e mostra, ao fim da conversa, o estado desolado e surpreso do personagem, no lugar de uma reação explosiva que seria o mais esperado. A forma fria com o que o diretor passa a informação de que Paul havia sido demitido condiz perfeitamente com o mundo da política, e naquele momento não cabia mesmo uma cena dramática, isso fatalmente enfraqueceria a narrativa. Além disso, a informação foi transmitida, apenas com imagens, sem uma palavra, o que para um cinéfilo é sempre algo a se comemorar. (Em compensação, creio que para as madames noveleiras que assistiam perto de mim, a cena se tornou extremamente confusa baseado nos cochichos que escutei de ambas: “Ué, não vai mostrar dentro do carro?”, “O que aconteceu?” – Mas deixa isso pra lá.)
Mas como falei o ponto alto deste filme é o elenco, o que torna uma surpresa a completa ausência de indicações no prêmio do Sindicato dos Atores (diferente do Globo de Ouro, que indicou Ryan Gosling). Independente de denúncias pouco chocantes, o privilégio que temos em Tudo Pelo Poder é conferir performances competentes e interessantes de um time de atores excepcional. Não é todo dia que encontramos personagens tão completos que não precisaram chorar, gritar, fazer caras e bocas ou enfrentar o holocausto* para serem apreciados.
Filme certificado com o Prêmio Panda de Prata.
*Isso é uma piada em Hollywood. Depois de 5 indicações, Kate Winslet uma vez brincou que só conseguiria ganhar o Oscar o dia que fizesse um filme de holocausto. E foi exatamente o que aconteceu.
(*) Evan Rachel Wood sempre charmosa. Impressionante.
7 de janeiro de 2012























