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Cinema Crítica: As Aventuras de Tintim
Spielberg atualiza gênero para a era digital e entrega outra obra-prima. Cotação: OURO.

Em tempos de histórias de amores impossíveis e toda uma onda literária inspirada em vampiros brilhantes, a estréia de As Aventuras de Tintim não poderia ser mais comemorada. É a volta das trajetórias épicas, dos grandes filmes de aventura. Não é de se espantar que as duas principais cabeças por trás do projeto sejam justamente Peter Jackson e Steven Spielberg, os cineastas responsáveis por O Senhor dos Anéis e Indiana Jones. As semelhanças deste último com a obra de Hergé são tão claras, que o simples fato de Tintim ser comandado por Spielberg já é um sacada de mestre.

Baseado nas histórias em quadrinho do autor belga Hergé, As Aventuras de Tintim conta a história de um jovem jornalista que viaja o mundo atrás de aventuras envolvendo mitos e mistérios. Um dia, ao comprar um velho barco numa feira de antiguidades, Tintim se vê envolvido numa grande caça ao tesouro que pode custar a sua própria vida. Roteiro de Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, direção de Steven Spielberg.

A história de Tintim é a volta aos filmes de aventura dos anos 80. Aquele tipo de narrativa centrada em mistérios, fantasia e segredos antigos, com um clima lúdico e infantil. Não por acaso, o filme tenha tanto em comum com Indiana Jones, Os Goonies ou DuckTales. É um gênero todo particular que está sendo resgatado em uma nova roupagem para as novas gerações. E seguindo os passos dos irmãos mais velhos, os roteiristas de Tintim investem num texto assustadoramente simples, mas extremamente funcional para a proposta do projeto. Nada de romances forçados, conflitos dramáticos deslocados ou outras baboseiras que viraram moda em Hollywood. Steven Moffat (Sherlock, Doctor Who), Edgar Wright (Scott Pilgrim) e Joe Cornish escrevem na medida do que a história pede, sem florear muito, nem insultar a inteligência do espectador.

Para dar vida ao bom roteiro do trio, Spielberg e Jackson adotam os recursos da brilhante Weta Digital e investem em uma soberba animação por captura de movimentos. Se o Gollum foi a descoberta e Avatar a revolução, Tintim é o amadurecimento da técnica. Visualmente o filme é uma obra-prima à parte. Os personagens são caricatos e ao mesmo tempo naturais, agindo como uma mistura perfeita entre seres de histórias em quadrinhos e pessoas de verdade. Enquanto isso, os cenários são de uma beleza e profundidade de dar nó na garganta, e a tela IMAX, devo ressaltar, contribui para experiência de uma forma inacreditável.

A sensação de novidade com a técnica é tão grande, que o próprio diretor parece se divertir com as possibilidades do brinquedo novo. Então, de vez em quando, Spielberg explora sequências difíceis para uma câmera de verdade realizar, como filmagens frontais de um espelho, objetos sendo atravessados, terceira pessoa do cãozinho Milu, dentre várias outras. Mas o grande mérito do cineasta é a forma como conduz o filme. Tintim é uma montanha-russa de tirar o fôlego, sem espaço para respirar. As sequências de ação são simplesmente fantásticas, sendo a melhor delas a perseguição na cidadezinha de Bagghar, esta que já está entre as melhores já realizadas na carreira do diretor.

As Aventuras de Tintim é o candidato absoluto nas categorias de animação em qualquer prêmio que se dê ao respeito. Mas não seria pedir muito que seja lembrado como Melhor Filme no Oscar, tamanha beleza e relevância desta obra. Steven Spielbeg e Peter Jackson atualizam para geração digital o gênero que permitiu tantos jovens se divertirem e sonharem nos anos 80 e 90. Em uma ou duas décadas, Tintim será lembrado com carinho e saudade, como hoje uma geração inteira lembra de Indiana Jones, Star Wars ou De Volta para o Futuro. Ser criança e ter um filme desses para assistir é um privilégio.

Filme certificado com o Prêmio Panda de Ouro.


  Publicado por Eduardo Cabanas *
  (*) "Super 8" e "As Aventuras de Tintim" são presentes para apaixonados por cinema.
 
  22 de janeiro de 2012



One comment

  • Wanderley Cabanas
    22 de janeiro de 2012 - 18:55 | Permalink

    Muito bom o comentário e a análise gerou grande vontade de assistir o filme.

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