Assistir comédia é sempre um desafio pra mim. Tenho uma tolerância muito baixa para o gênero, principalmente pelo estilo muito produzido no Estados Unidos que tem Judd Apatow como um dos principais realizadores. Felizmente, Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, no original) caminha mais para o lado de Sideways do que de Superbad, trazendo uma protagonista interessante, um bom estudo da personagem e sabendo ser engraçado quando tem que ser.
Dirigido por Paul Feig (de The Office) e escrito por Kristen Wiig e Annie Mumolo, Missão Madrinha de Casamento acompanha Annie (a própria Wigg) no período que antecede o casamento de sua melhor amiga Lilian (Maya Rudolph). Sempre acompanhada das outras madrinhas, Annie faz um monte de bobagem nos preparativos do casamento, enquanto vê sua vida pessoal e profissional desmoronarem.
Sem apelar constantemente para o exagero ou para o escatológico, o filme adota desde o início uma abordagem de “dramédia” independente, preocupado em entender sua personagem e fazer rir naturalmente durante o processo. Por isso, antes mesmo de começar qualquer tentativa desesperada de ganhar o público com uma piada deslocada, o roteiro de Kristen Wigg gasta um bom tempo apresentando a protagonista, mostrando seus conflitos pessoais e sua relação com a melhor amiga (muito importante para a própria premissa do filme). Desta forma, quando as piadas mais pesadas surgem, elas ficam mais engraçadas e chocantes justamente por já gostarmos da protagonista e entender o que ela está passando.
A pena é que no terço final do filme, as roteiristas tenham se deixado levar pela veia “sitcom” que existe em todo americano e caíram em resoluções precárias e pouco condizentes com os terços iniciais. O chilique de raiva de Annie durante o chá de panela da amiga é exagerado e, advinhem só, nem um pouco engraçado. O humor da cena acontece durante os diálogos raivosos, mas jamais quando a moça começa a correr pelo jardim e destruir o buffet, num claro momento em que o filme saiu de Sideways e virou Superbad. Mas a situação piora e a resolução de tudo se mostra incoerente e decepcionante. Depois de tudo que Annie fez, quando a noiva desaparece antes do casamento, o texto tenta vender que a culpa não era da protagonista. A situação é subvertida, fazendo com que a moça receba pedidos de desculpas que ela deveria estar fazendo. E pra completar, a atitude dela para ajudar a achar a amiga é procurar o policial com que ela mesma vinha se relacionando, antes mesmo de sequer ligar para o apartamento da amiga, mostrando um egocentrismo que ela não deveria estar tendo naquele momento. Nesta mesma sequência, nem preciso dizer o quão desnecessária foi a (longa) tentativa de piada para chamar a atenção do tal policial.
Mas o resultado final é satisfatório e divertido, uma surpresa agradável para mim que só esperava o pior deste projeto. A sorte de Missão Madrinha de Casamento é que as relações estabelecidas no decorrer do filme são fortes o suficientes para sobreviverem aos exageros do roteiro. E felizmente, a atuação brilhante e carismática de Kristen Wiig se sobressai às suas péssimas decisões como roteirista.
Filme certificado com o Prêmio Panda de Bronze. (quase Prata!)
Obs.: Não detesto o Judd Apatow nem nada do tipo. Só o acho medíocre e super valorizado, tanto quanto Todd Phillips, Greg Mottola, Seth Rogen e profissionais do gênero.
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26 de setembro de 2011























One comment
Mas o chilique dela no chá não era pra ser engraçado, era pra ser excessivo, tipo “over the top”, de percebermos que a personagem chegou a um ponto de dar pena. É uma coisa que não estamos muito acostumados a ver em comédias lineares, muito menos como clímax de um blockbuster babaca. Gênias.
Nunca espere o pior da Kristen Wiig, eheheheh! =)