
Escrito por Ehren Kruger (Transformers 2, O Chamado) e dirigido por Michael Bay, Transformers: O Lado Oculto da Lua conta a história de Sam (Shia LaBeouf), namorado de uma tal de Carly (Rosie Huntington-Whiteley) e amigo de um bando de robôs gigantes do bem (autobots). Os robôs do mal (decepticons) armam um plano de recuperar um poder antigo (que curiosamente parecem ignorar em T1 e T2), para trazer o planeta Cybertron para perto da Terra e reconstruí-lo usando a raça humana como escrava. E desculpem, é isso, não vou tentar explicar melhor a trama do filme.
Eu tenho uma teoria a respeito de Michael Bay. Sam Witwicky é seu alter ego dos sonhos e Transformers sua realidade imaginária (tipo eu, que sonho ainda em receber uma carta de Hogwarts… mas deixa isso pra lá). Reparem nos elementos que estão sempre presentes na trilogia, até mesmo no bom primeiro filme. Sam é um típico “perdedor”, relativamente baixo, sem beleza muito aparente, mas que convenientemente consegue se dar bem com mulheres espetaculares (Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley, ambas lindas e péssimas atrizes). Essas mulheres são colocadas no papel de meros objetos, apenas para responderem aos estímulos e serem salvas pelo protagonista sem sal. O exército americano está sempre presente, glorificado e imbatível como Bay e sua veia republicana fazem questão de mostrar. E, por fim, a orgia robótica que toma conta dos seus filmes, mostrando toda sua paixão por veículos.
A verdade é que, mudanças insignificantes à parte, o conteúdo dos três Transformers é o mesmo. A única diferença entre os três filmes que faz o 1º ser razoável é o óbvio fator “novidade” e o diretor ainda um tanto tímido. Surpreendentemente, Michael Bay deu um bom início a saga dos robôs gigantes, ao se mostrar contido em seus vícios e ainda preocupado em contar uma história. Mas o sucesso escancarou todos as suas taras e manias, resultando em dois filmes pavorosos, extremamente mal dirigidos e roteirizados (os textos não são de Bay, mas sua influência é mais do que clara).
Em Transformers: O Lado Oculto da Lua, o roteiro já começa tentando vender para o espectador a traminha pessoal estúpida do Sam, que curiosamente tem dificuldade em arranjar emprego mesmo sendo formado em uma das melhores universidades do país e tendo recebido uma medalha de honra do presidente. Tudo isso só para criar um conflitozinho, inútil para a narrativa, entre ele e a namorada Carly. Por falar nela, a moça só serve mesmo como troféu, visto que aparece sempre limpa, maquiada e de boca aberta. A cena em que bombas explodem ao fundo com ela em primeiro plano impecavelmente arrumada é o cúmulo disso. E se em Transformers 2, Mikaela fazia sua 1º aparição em uma cena claramente pansexual, em T3 Michael Bay não deixa barato e apresenta Carly pela bunda.
Mas como se preocupar com personagens, se Bay e seu roteirista se quer pensam numa consistência para o filme? Os dois povoam a trama com dezenas de personagens inúteis (tipo os pais chatos do Sam), ignoram qualquer lógica temporal ou espacial, investem em diálogos patéticos e altamente expositivos (“Ah Chefe, quer dizer então que você conseguiu localizar o elemento X, para realizar o plano Y na data W?”, “Sim! Isso mesmo!”) e apostam em alívios cômicos ofensivos e totalmente fora de tom. Estou ainda procurando explicação pela ponta de Ken Jeong (de Community, série que adoro), numa avalanche de piadas sexuais totalmente deslocadas que poderiam fazer parte de Se Beber, Não Case, mas jamais de Transformers. Por fim, Bay potencializa suas patriotadas habituais, mostrando o exército americano com toda sua honra, força e câmera lenta (nem parece que tem robôs de 15 metros no filme, tamanha glorificação das forças militares). Não satisfeito, o diretor ainda insere um discurso moralmente duvidoso, ao mostrar os autobots destruindo bases iraquianas sob uma narração em off de Optimus que diz algo como “Ajudamos os humanos a resolver seus problemas locais.”.
O que posso falar de positivo do filme são seus efeitos especiais e a presença de Shia LaBeouf. O rapaz é esforçado e faz o que pode com o texto que tem em mãos. Já a única coisa que consigo dizer a favor de Michael Bay são suas cenas de ação, visivelmente melhor planejadas que em T2, já que agora dá para pelo menos entender a maioria delas. Não que isso seja muito mérito do diretor, visto que a diminuição dos cortes e do ritmo insuportável do filme anterior se deve às exigências do 3D. E quando a batalha final parece caminhar para um desenvolvimento mais interessante, ao mostrar os soldados humanos lutando contra os robôs só usando estratégia, a cena é resolvida em 2 minutos e voltamos para a eterna orgia robótica entre autobots e decepticons.
Ufa. Falei demais. Michael Bay sempre rende. Fico curioso para saber que rumos vão dar para a franquia com a saída do cineasta e do protagonista. Ainda nem anunciaram nada, mas só de olhar o alto arrecadamento nas bilheterias (triste verdade) já dá pra ver que as sequências ou reboots são inevitáveis. Quanto a Shia LaBeouf, não tenho dúvidas que vai conseguir se vincular a bons projetos, o rapaz é bom. Quanto ao diretor, não ligo. Só quero que fique longe dos quadrinhos e blockbusters, Transformers o público engole, mas do jeito que esse cara gasta e entrega material ruim, não duvído nada que um dia ou outro venha a estragar alguma franquia com potencial (estilo Joel Schumacher e Batman). Michael Bay, Michael Bay… seu fetichista safado.
Filme certificado com porra nenhuma desta vez, com perdão do termo.
Ass. Eduardo*
*Obs: O Cinema começou exibindo a cópia dublada por engano. Não posso deixar de elogiar Guilherme Briggs e sua dublagem do Optimus, 10x mais macho que o dublador original.
(*)
6 de julho de 2011






















