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Cinema Crítica: Meia Noite em Paris
Apenas mais uma obra-prima na carreira de Woody Allen. Cotação: OURO.

Faz décadas que Woody Allen vem discutindo o valor e a importância da arte em sua filmografia. Acho que isso nunca ficou tão claro quanto em A Rosa Púrpura do Cairo, quando o personagem de um filme sai da tela para interagir com a espectadora que tanto o ama. Hoje, 26 anos depois, o diretor americano volta a uma temática semelhante, com seu encantador e maravilhoso Meia Noite em Paris.

Escrito e dirigido por Allen, Meia Noite em Paris conta a história de Gil (Owen Wilson, em ótimo trabalho), um roteirista americano frustrado consigo mesmo que está tentando terminar um livro, enquanto passa férias com a noiva (Rachel McAdams) e sua família em Paris. Entre passeios com um amigo pseudo-intelectual (Michael Sheen) da noiva e jantares com os sogros, Gil encontra um “túnel” do tempo que o leva direto para a Paris glamourosa dos anos 20. Lá conhece figuras como Fitzgerald, Picasso, Dalí e Buñuel, e se apaixona pela bela Adriana (Marion Cotillard).

Todos os melhores elementos da filmografia de Woody Allen estão de volta: a visão romantizada de uma cidade, o protagonista escritor, a musa inspiradora, os momentos lúdicos e os diálogos neuróticos. Desta vez trazendo a nostalgia e idealização do passado como fios condutores. Sentimentos retratados através de Owen Wilson, que não deixam de ser universais e comuns a todos nós. O passado sempre parece mais tentador, mais bonito que o presente. É raro considerarmos as coisas atuais melhores que as de antigamente, em especial quando pensamos no campo da arte, aonde existe tamanha valorização ao passado (a arte renascentista, o cinema da década de 30, a música dos anos 60, dentre tantos outros exemplos). E isso Woody Allen consegue questionar como ninguém, de forma divertida e inteligente. Algo que é curioso, já que o próprio diretor é alvo de fãs nostálgicos que frequentemente o acusam de não fazer mais bons filmes como antigamente. Coisa que ao meu ver é uma tremenda ignorância, dado o altíssimo nível da filmografia de Allen nos últimos 10 anos.

De qualquer maneira, passados os minutos iniciais, quando toda a trama é apresentada, a magia do filme finalmente se revela. A jornada de Gil pelo passado é retratada de forma divertida, pelas óbvias oportunidades de humor que aparecem, e emocionante, por causa de toda transformação que o personagem passa. E Woody Allen, sempre um mestre com imagens e palavras, nem tenta transformar as viagens no tempo realistas dando explicações plausíveis para elas, o que não precisava fazer mesmo, da mesma forma que um musical não precisa racionalizar as canções, até porque nenhuma explicação seria o suficiente. Cá entre nós, abrir o espaço para o lúdico e o fantástico me parece muito mais atraente em um filme como esse.

Para finalizar, não posso deixar de exaltar mais uma vez a grandeza da figura de Woody Allen, que ano após ano continua a nos surpreender. Um rápida olhada no elenco de seus filmes já basta pra ver o gigante prestígio que o cineasta tem, ícones da comédia misturados com jovens promessas, atores veteranos e ganhadores do Oscar. Felizmente ele teve todo esse arsenal para fazer Meia Noite em Paris, transformá-lo em uma experiência agradável e em uma lição tão rica. Afinal, o passado pode até ser aquele ideal inalcançável, mas com um pouquinho de paciência e esforço o presente pode se tornar tão lindo, romântico e prazeroso. Assim como uma noite chuvosa em Paris.

Filme certificado com o Prêmio Panda de Ouro.

Obs: Eu ia falar sobre o diálogo final entre o personagem do Owen Wilson e da Marion Cotillard, que achei um tanto expositivo e desnecessário. Mas o filme é tão bom que isso não é importante o suficiente para tratar no texto.

Obs 2: Para os nerds de plantão: alguém reconheceu Alison Pill (a Kim de Scott Pilgrim) no elenco? Ta bem diferente, só lembrei quando vi a ficha técnica no IMDB.

Ass. Eduardo*
*que manda um beijo e um abraço pra galera da faculdade que frequenta este blog. Beijo pras mina, abraço pros mano. :)


  Publicado por Eduardo Cabanas *
  (*)
 
  19 de junho de 2011



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