Escrito por John Logan (Sweeney Todd, Gladiador) e dirigido por Gore Verbinski (trilogia Piratas do Caribe, O Chamado), Rango é um lagarto metido a ator que um dia se perde no meio do deserto e acaba numa pequena cidade chamada Poeira, que está com problemas de falta de água. Com muita lábia e muita sorte, o lagarto acaba virando o xerife local e fica encarregado de recuperar o já limitado estoque de água da cidade quando o mesmo é roubado.
O preciosismo técnico da ILM pode ser percebido logo nas primeiras sequências e se torna a maior atração no decorrer da projeção. Destaco o ambiente sujo e envelhecido da cidade Poeira, que contrasta muito bem com o lugar plastificado e colorido que Rango vive no início do filme. O próprio design dos personagens (principais e coadjuvantes) são um exemplo de excelência em animação, trazendo vários animaizinhos sujos e mal cuidados como habitantes daquela cidade.
Portanto, com uma amparo visual e ténico tão apurado, a equipe criativa do filme consegue criar uma história muito bem humorada que constantemente se diverte com as homenagens aos filmes de western. Desde as referências óbvias como a aparição de Clint Eastwood em versão animada quase como um Deus, até coisas mais sutis como enquadramentos popularizados por Sergio Leone e a presença de todos os personagens clichês de cidadezinha do velho oeste (a prostituta, o banqueiro, o xerife, o pistoleiro, a gangue, etc). Pena que em alguns momentos, o reconhecimento destas referências seja tão necessário para as piadas funcionarem e terem graça. Talvez esta seja a minha única crítica em relação ao filme.
De qualquer maneira, com fotografia, trilha sonora, edição e mixagem de som igualmente brilhantes, Rango se torna uma obra bonita e deliciosa de se assistir. E o diretor Gore Verbinski comanda tudo com muita elegância, criando sequências excelentes e fazendo referências a inúmeros outros filmes, até fora do gênero do western (como Apocalypse Now).
Desde já, acredito que Rango é forte candidato aos prêmios de animação do ano que vem. A não ser que surjam vários outros filmes animados no mínimo excepcionais, o que é bastante improvável, a indicação ao Oscar deste novo longa do Gore Verbinski é mais do que uma possibilidade, é um obrigação.
Filme certificado com o Prêmio Panda de Ouro.
Ass. Eduardo*
*que acha que viu uma referência a Star Wars também. A não ser que esteja ficando meio doido de achar referência a Star Wars em tudo quanto é lugar.
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26 de março de 2011























