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Cinema Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1
Harry Potter se supera e chega ao 7º filme de forma excepcional. Cotação: OURO.

Parece inacreditável o iminente fim da franquia cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos. E mais inacreditável ainda é a magia feita pelos produtores e cabeças criativas da saga, que conseguem desde 2001 se superar a cada capítulo e sempre manter um alto nível de qualidade. Num ramo marcado por muita irregularidade, aonde raramente se consegue construir uma franquia sem um ou outro tropeço (vide Homem-Aranha 3, Batman & Robin, Shrek Terceiro, etc), é louvável ver Harry Pottercomeçar a terminar com mais um grande filme, um dos melhores até aqui.

Nesta parte 1, vemos Harry, Rony e Hermione começando a busca pelas horcruxes (pedaços de alma) de Voldemort, exatamente de onde Dumbledore parou em O Enigma do Príncipe. A grande diferença é que agora, o trio se encontra longe de Hogwarts e da segurança de seus pais e professores, perdidos e escondidos num mundo dominado por Voldemort e seus seguidores.

O filme, desde o início, é competente em mostrar que os velhos, coloridos e seguros tempos do início da série não existem mais. O mundo dominado por Voldemort, inclusive politicamente por seus fantoches no Ministério da Magia, é perigoso, opressor e “racista”. Portanto, tem que se exaltar os elementos inseridos no filme que retratam o ambiente vivido pelos personagens. Desde a triste decisão que Hermione faz para proteger seus pais, passando pela fotografia escurecida e pesada de Eduardo Serra, até as atuações que mostram personagens cansados, tristes e preocupados. Tão competente quanto esses três exemplos citados é a rápida sequência em que Hermione, com as mãos cheias de sangue do próprio amigo, realiza magias de proteção enquanto Rony aparece machucado no chão, sequência que nada mais é o desfecho de um casamento, único momento de aparente felicidade que os personagens iriam viver.

Ao nos introduzir na jornada do trio principal com tanta competência, o filme investe num corajoso roteiro que pode vir a assustar algumas pessoas. A busca das horcruxes é lenta, cansativa e dolorosa, portanto depois de algumas cenas de ação iniciais, somos levados por longas sequências dos trio viajando de lugar para lugar, enquanto progridem lentamente em seus objetivo. Assim, Relíquias da Morte – Parte 1 (graças a sábia decisão de se dividir o livro em dois) se torna o filme mais arrastado da série e com mais tempo para desenvolver os personagens e a relação entre os três. E quando digo arrastado, não entendam isso como uma crítica. Pelo contrário, beneficia demais o filme e principalmente os protagonistas, que finalmente possuem tempo em tela para mostrar a grande amizade e a convivência entre eles.

Falando no trio, Daniel Radcliffe (Harry), Rupert Grint (Rony) e Emma Watson (Hermione) entregam até agora as melhores atuações de suas carreiras. Os três parecem extremamente à vontade em seus personagens e deixam bem claro a evolução que tiveram como atores nesses últimos 9 anos. Entretanto, Emma Watson me parece o grande destaque deste filme, trabalhando com muita dedicação numa personagem muito difícil que além de amiga, se mostra quase uma mãe para os dois rapazes, e, apesar de ser o “sexo frágil”, está sempre forte e decidida em suas decisões. Diga-se de passagem, a dança entre a menina e Harry se mostra uma das sequências mais bonitas e delicadas do filme inteiro, quando mergulhados num momento de muito sofrimento, os dois ainda conseguem sorrir mesmo que temporariamente. Além do trio, destaco também o prazer que é poder ver mesmo que rapidamente um elenco de apoio tão incrível (Alan Rickman, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, John Hurt, Robbie Coltrane, Jason Isaacs, irmãos Phelps, Brendan Gleeson, David Thewlis, dentre muitos outros), cortesia que só a série Harry Potter consegue trazer.

Claro que o filme não é perfeito, mas os defeitos são tão poucos que certamente este parágrafo não ultrapassará a casa de 5 linhas. De ruim (ou melhor, “nem tão bom”) só mesmo parte da fuga dos 7 Harrys, que achei meio confusa e mal coreografada, a morte da Edwiges, bem pouco impactante, e alguns alívios cômicos que me pareceram desnecessários. Enfim, nada que atrapalhe o filme.

Depois das 2 horas e 26 minutos de filme, a série Harry Potter fica com seus dias cada vez mais contados no cinema. Os próprios realizadores parecem entender isso e já começam a inserir momentos de marcante nostalgia, como na cena em que o Harry observa melancolicamente o seu antigo armário sob a escada e sutis acordes da música de John Willians embalam o olhar do rapaz e o imaginário do espectador. E se a hora do inevitável adeus está chegando, se depender de David Yates e sua equipe, os fãs que cresceram com a história do menino bruxo, terão muito com o que se emocionar com o fim desta inesquecível saga. Como bem diz o trailer, o evento cinematográfico de uma geração.

Filme certificado com o prêmio Panda de Ouro.

Ass. Eduardo*
*que já está nostálgico.

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  Publicado por Eduardo Cabanas *
  (*)
 
  20 de novembro de 2010



One comment

  • Luciana Lopes chagas
    16 de setembro de 2011 - 17:55 | Permalink

    Lendo seu texto, confesso que a emoção brotou novamente, emoção-comoção-êxtase-tristeza-espectativa…já nostálgico…ainda não assisti a Parte 2, tenho um grande bloqueio….parece que desejo prolongar ao máximo o tempo de vida dos personagens. Saber que é a última? É estranho, tem que haver esse fim, mas, dói…Enfim, para mim, personagens eternos, maravilhosos, inesquecíveis. Uma série incrivelmente apaixonante.

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